Ibicaraí: história, futebol e família nos 30 anos do título do Intermunicipal

30 de Ago 2011 - 11h03


O Sagrado e o Futebol: Acima, foto do primeiro time da antiga Palestina baiana, quando jogavam, de 1934 a 1940, em um campinho emprestado onde hoje se encontra uma igreja. (Foto do arquivo de Waldir Montenegro)


Quantos soteropolitanos sabem que, na primeira metade do século XX, era possível sair da capital e chegar a Palestina em alguns dias e sem sair da Bahia, a Terra de Todos os Santos?

Ibicaraí, município do Sul baiano, a 470 quilômetros de Salvador, só passou a ser assim conhecido a partir de 1941, quando legou o nome de Palestina ao passado e à memória popular, pelo decreto de lei Estadual nº 141, de 31 de dezembro.

O futebol, inevitavelmente, brotou por lá, resistiu mais ao tempo que os cafezais de um senhor Calixto Roxo, pelos idos de 1912. Não enriqueceu famílias – o desporto no início do século dava muito menos dinheiro que os cacaueiros de Manoel Marques dos Santos Primo (um dos fundadores, em 1916) –, mas deixou o município orgulhoso e ainda mais conhecido em todo o estado há 30 anos.

 

Seleção campeã de Ibicaraí do Intermunicipal 1981. Da esquerda em pé: Leitoinha, Poti, Jaime, Jorjão, Coronel, Davi, Paulista, Gil, Reni e o Pres. Zé Dias. Agachados: Paulo Vagal, Nêgo, China, Dadau, Faustinho e Sinha. Os meninos Ricardo e Luciano. (Foto alterada)

No Campeonato Intermunicipal de 1981, a seleção do povo da “Terra Santa” fez história. Apresentava em seu elenco os jogadores China, Coronel, Dadau, Gil, Jorjão, Leitoinha, Nêgo, Paulista, Paulo Vagal, Poty e Reni, além do técnico Sebastião José dos Santos, o Bebé. Conquistaram o título após vencerem São Sebastião de Passé por 1 a 0.

As informações acerca de jogos acontecidos antes da era da internet normalmente são imprecisas - especialmente em se tratando de partidas disputadas no interior -, o que faz com que iniciativas de entusiastas do esporte, como Sandoval Novais, se mostrem necessárias. Além das fotos, os principais registros com que podemos contar são os relatos de testemunhas oculares.

Laços ibicaraienses de família

 

Seleção ibicaraiense de 1975. Em pé: Reinã, Raminho, Pelé, Pedrão, Jorjão e Copeu. Agachados: Sinha, Beca, Boca de Pia, Belinha e Geraldo.
 

Jorjão e Dadau

Uma das histórias interessantes é a que envolve (indiretamente, digamos) o Jorjão, que jogou tanto em 1975 (ver foto acima), quando a seleção saiu vice-campeã, perdendo para Cachoeira, quanto em 1981, quando finalmente levou o título, com o irmão, Dadau.

 

Em pé: Leitoinha, Gil, Paulista, Paulo Vagal, Poty e Jorjão. Agachados: Nêgo, Dadau, Reni, China e Coronel.
 

João Crua e Chico Guenen

Seu Sandoval chegou em Ibicaraí em 1973, aos 9 anos de idade, dois anos antes do vice-campeonato. Chegou a acompanhar alguns jogos da seleção e o desempenho dos atletas em amistosos da região. Já palestrou bastante com João Crua, por exemplo, o pai do Jorjão.

 

Da esquerda em pé: Boca Rica, Chico Guenen, Leão, Nivaldo Melo, Pequeno, Niltinho e Borges. Agachados: Humberto, João Crua, Gagé, João Calazans e Nelson Papo. Em jogo realizado em 8 de setembro de 1963, Ibicaraí 6 X 2 Itororó.

Em 1963, ajudando a fortalecer o futebol de Ibicaraí, João Crua só poderia sonhar em ter um filho que seguiria seus passos – e chegaria mais longe. Crua era vizinho de Sandoval, e seu irmão, o Chico Guenen, era seu parceiro de equipe.

João Crua faleceu recentemente, em dezembro de 2010, enquanto que Guenen já se foi há mais de 10 anos. “O talento de Guenen era notável. Segundo informações, ele chegou a fazer um teste para entrar no Bahia, na década de 60, e chegou a ser aprovado, mas tinha problemas com álcool, então disse que ia retornar para cá, ia pegar uns documentos, só que nunca mais voltou lá”, diz Sandoval.

Boca Rica e Nelson Papo

Dois outros irmãos com destaque local também usaram a camisa da seleção. Boca Rica foi colega de João Crua e Chico Guenen em 1963, assim como seu irmão, o Nelson Papo. Boca ainda está vivo, com cerca de 83 anos.

 

Boca Rica (em pé, o sexto da esquerda para a direita), na seleção de 1964.


Madalena e Audiley

Madalena era um jogador que se inscreveu para jogar no Intermunicipal de 81, mas ficou como reserva. Seu irmão, Audiley, jogou no fim da década de 80 e durante toda a década de 90 por Ibicaraí.
 

Madalena (agachado, terceiro da esquerda para a direita), em 1989.
 

Audiley (em pé, terceiro da esquerda para a direita) em 1990.
 

Fotos: Sandoval Novais, disponíveis no blog Futebol de Ibicaraí.

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