13/01/2012 às 21:57 | Comunicação
Mais de uma dúzia desses membros da AGAP estiveram presentes na manhã de hoje, afim de aprenderem detalhes sobre o ofício.
Encerrar uma carreira pode não ser tão fácil ou tranquilo quanto se imagina. Nas profissões em que se vive de talento e plateia isso é mais evidente. Nas artes cênicas, muitos atores se aposentam, mas vez por outra reaparecem em papéis menores, na TV ou no cinema. Em inglês, isso é conhecido também como “cameo”, em português pode ser uma “participação especial”.
Saber “reinventar-se” ou fazer essa transição de carreiras, ainda que na mesma área de atuação, já é regra para todo profissional. Na música, Madonna destaca-se como exemplo de renovação constante de imagem. Na TV brasileira, a apresentadora Eliana conseguiu conquistar um público diferente do infantil. No futebol, os ex-craques ainda viciados pelas quatro linhas, habituados à atmosfera dos estádios, podem com esforço achar um espaço nessa órbita.
Luis Alberto Becco, Delegado Financeiro e Coordenador do Quadro Móvel da Federação Bahiana de Futebol desde 2005, ministrou na manhã desta sexta-feira (13) o Curso de Preparação para Delegados em Partidas Oficiais de Futebol, voltado para ex-jogadores baianos que fazem parte da Associação de Garantia ao Atleta Profissional da Bahia (AGAP-BA).
“Para ser delegado, é preciso entender que não se é mais um ex-árbitro ou ex-jogador de futebol. O que vai mudar é justamente o comportamento e a postura dentro do campo. A atitude tem de ser mais reservada às leis, estatutos e regulamentos”, afirma o delegado.
Além desta, outras etapas virão, sendo uma na segunda-feira (16) e na terça-feira (17), sempre das 9h às 12h. De acordo com Hugo Aparecido, superintendente da AGAP-BA, essa era uma atividade que já vinha sendo planejada desde o fim do ano passado, junto ao Presidente da FBF, Ednaldo Rodrigues, em função do Torneio Início.
O Torneio Início 2012 acabou não acontecendo, mas o projeto continuou de pé. O superintendente revelou ainda que não houve um critério específico para a seleção dos participantes, ainda que o fato de todos serem de, ou morarem em Salvador tenha sido uma questão de praticidade e logística, pois não tiveram o tempo para convocar pessoas do interior que pudessem chegar no prazo.
“Nós conseguimos entrar em contato com alguns deles, procuramos saber o que estavam fazendo e se tinham interesse. Queríamos inscrever aqueles que já conhecíamos e que são sujeitos confiáveis, interessados e competentes”, disse Aparecido.
Hoje, 15 foram os ouvintes. Dentre eles, dois certamente estariam entre os mais lembrados pela torcida: Osni Lopes e Elcio Nogueira da Silva (o Sapatão).
“Eu tinha uma idéia totalmente diferente, pensei que era tudo mais simples, agora vi o quão é importante”, diz Osni. “O delegado é visto como uma pessoa chata, por ser aquele que faz as outras regras valerem fora do gramado. Acho que nesse sentido é quem mais sofre ali, por todas as vistorias e cobranças”.
Osni Lopes já atuou pelo Santos e Flamengo. Aqui na Boa Terra, ficou no Vitória de 1971 a 1976, sendo que em 72 foi Campeão Baiano pelo rubro-negro. No Bahia, ele jogou de 78 a 85. O ex-atacante acrescenta ainda que seria uma ótima ideia se em algumas ocasiões os atletas pudessem ter uma aula ou duas sobre a figura do delegado, para desmistificá-la e, por que não, respeitá-la mais.
Já Élcio Nogueira da Silva, conhecido como Sapatão, disse que naqueles dias já conseguia notar alguma relevância nessa função, e sabia um tanto superficialmente sobre o assunto. Segundo o ex-zagueiro do Bahia (onde jogou em 1970 e depois de novo de 73 a 80), sempre manteve uma “política de boa vizinhança” com esse pessoal.
Mas afinal, quantos são os delegados num jogo e o que eles fazem?
Em jogos de grande porte, tem o delegado financeiro e o delegado técnico (que fica na pista), além dos coordenadores e supervisores de campo. O curso não abrangeu estes dois últimos.
Delegado Técnico
O delegado técnico faz a vistoria de toda a parte “mecânica” de um jogo. A primeira coisa a ser verificada ao chegar no local é a segurança, o número de oficiais presentes. Depois, deve-se checar as dependências do estádio (vestiário de visitantes, vestiário da arbitragem), assim como as condições do campo de jogo, para ver se tem algo que vai de encontro às regulamentações da federação.
Estando tudo OK, ele aguarda a chegada dos árbitros e dos clubes. Posteriormente, conversa com o juiz para saber quais os possíveis problemas verificados por ele (invasões de campo e insultos, por exemplo).
Delegado Financeiro
A este cabe lidar com tudo que envolve rendas e despesas da partida: contagem, venda e distribuição dos ingressos; taxas, tributos e impostos; pagamento da arbitragem e quadro móvel, etc. O delegado financeiro cuida também das portarias internas, do campo e do vestiário. Ele é responsável por apresentar a renda à Associação Baiana de Cronistas Desportivos (ABCD).
Para Becco, é essencial conhecer bem essas duas subclasses, pois em jogos no interior, por exemplo, pode faltar um delegado técnico, nesse caso caberia ao delegado financeiro suprir essa função para o andamento da partida.
A FBF tem 7 delegados financeiros. “Já os técnicos é difícil precisar a quantidade, porque são vários que às vezes são do local lá do interior”, diz Becco.
Segundo o delegado, tudo ocorreu bem no curso, que hoje foi mais voltado para a parte teórica que prática (esta só no final).
“Reforçamos bem a teoria porque na cabeça deles, ainda são jogadores. Como eu falei para eles, não se deixa de lado o nome, o passado, o que se alcançou”, ponderou. “O que não pode é permitir que isso atrapalhe o futuro, pois os papéis agora são trocados e as responsabilidades são outras. O jogador defende o clube, que o paga. Aqui tem de defender o conjunto todo, a partida, e responder à Federação”.