27/02/2012 às 18:35 | Comunicação
Manhã de expiações na pista de Pituaçu, tarde de broncas e conselhos. Árbitros provam do doce amargo das exigências do profissionalismo.
Nesta segunda-feira (27), mais de 40 árbitros iniciaram as atividades relacionadas à VIII Pré-Temporada para Árbitros, realizada pela Federação Bahiana de Futebol, a qual foi representada pelo presidente da Comissão Estadual de Árbitros de Futebol da Bahia (CEAF-BA), Wilson Paim, e do membro e instrutor desse departamento, Belmiro da Silva.
Nesta edição, compareceram 48 juízes do futebol baiano, sendo a maioria do interior.
Manhã
No Estádio Roberto Santos (Pituaçu), começando o dia com uma breve reunião antes da maratona de exercícios, Belmiro foi contundente em suas palavras: “Façam tudo com responsabilidade e dignifiquem-se para entrar neste seleto grupo. Para alguns de vocês, esta é a terceira oportunidade, então se doem até o final”.
Foto: Carlos Santana
Às 8h ocorreram os testes físicos, na pista de atletismo do local. Consistiram em corridas de duas etapas: uma de seis tiros de 40 metros, com tempo limite de 6.2 segundos e outra de 16 tiros de 150 metros, no máximo de 30 segundos.
Foto: Carlos Santana
A avaliação teve como principal objetivo utilizar a excelência dos padrões FIFA na qualificação desses profissionais do quadro fixo da FBF.
Alessandro Matos, árbitro assistente da FIFA, mostrou-se otimista: “As minhas expectativas são as melhores. Sou baiano, quero trabalhar no campeonato estadual. A FBF é a minha casa”.
Daniella Coutinho. Foto: Marcos Mendonça
Daniella Coutinho, que viaja à Bolívia no início de março, para apitar no Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino Sub-17, também marcou presença.
Reafirmando sua capacidade, a árbitra central da FIFA cruzou os 150 metros em 24 tiros, como manda o teste internacional, sem passar dos 35 segundos, estando apta para esse novo desafio além-fronteiras.
Já o árbitro assistente Erick Jorge foi um daqueles que receberam uma segunda chance. Por falta de resistência, ele havia falhado na segunda etapa da pré-temporada, no dia 14 de janeiro. Nesta manhã, todavia, conseguiu a redenção que buscava, ao ser aprovado.
Erick Jorge, de número 50, em Simões Filho na segunda etapa. Foto: Caloan Guajardo
“Eu fiquei mal, mesmo, naquele dia. Mas a partir daí eu aumentei a intensidade dos meus treinos, não só lá na praia com o Carlinhos Espinheira [preparador físico do SINBAF], como também fazendo academia e cooper”, disse Erick, chegando a afirmar que nessa corrida (literal) pela melhora no condicionamento físico, valia-se dos postes das ruas para medir distâncias e praticar os tiros.
Tarde
Após o almoço, às 13h, os donos do apito vieram à sede da entidade máxima do futebol baiano, a fim de assistir à palestra “Mecânicas da Arbitragem”, marcada para as 15h.
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Foto: Caloan Guajardo
Ministrada por Arilson Bispo da Anunciação, presidente do Sindicato Baiano dos Árbitros de Futebol (SINBAF), a exposição das principais responsabilidades desses profissionais, bem como os erros mais ordinários cometidos na história recente, teve as pontuações e observações de Belmiro da Silva.
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Foto: Caloan Guajardo
O ex-árbitro e também instrutor da CEAF-BA, Kleber Moradillo da Silva, esteve presente e participou da oratória.
Encerramento
Tudo dito e devidamente anotado, na hora da despedida vieram os usuais agradecimentos e congratulações, comandados por Wilson Paim e endossados pelos palestrantes, que aproveitaram para apresentar dois convidados que foram testemunhas discretas.
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Foto: Caloan Guajardo
Trata-se de dois homens das rádios: João Andrade, narrador esportivo da Metrópole e seu colega José Nilton Mascarenhas, mais conhecido como Nilton Feliz, repórter esportivo da Sisal AM, de Conceição do Coité.
Ambos puseram em suas falas o apreço pela oportunidade de assistir a tudo aquilo e, dessa forma, sair do obscurantismo confortável dos torcedores (e de muitos jornalistas da área) e entender mais o lado dos homens de preto.
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Nilton Feliz e José Andrade. Foto: Caloan Guajardo
Após ouvirem as broncas de Arilson e Belmiro, sobretudo no quesito de preenchimento de súmulas e descuidos grotescos em lances primários, os radialistas talvez aceitem o papel de advogados do diabo, no trabalho ou em hora de lazer. Ou quiçá passem a ajudar de outra forma: criticando mais severamente e com mais conhecimento os juízes que andarem fora da linha.