08/03/2012 às 20:00 | Comunicação
Neste Dia Internacional da Mulher, a Federação Bahiana de Futebol felicita todas as damas, desportistas ou não, por todas as suas conquistas.
Nesta quinta-feira (8), em que se celebra internacionalmente o Dia da Mulher, a Federação Bahiana de Futebol, através do Presidente Ednaldo Rodrigues, congratula a todas as damas por cada uma de suas conquistas desde a eclosão do movimento feminista, nessa luta incessante pela igualdade de direitos, na qual embarcam também outras minorias que almejam respeito e dignidade.

Foto usada na homenagem da CBF ao Dia da Mulher, com as oito árbitras e assistentes da FIFA. Foto: CBF
Como empecilho principal, a extrema ignorância envolta no machismo tanto daqueles que se encontram no poder, quanto do cidadão comum (independente de gênero) que não pode mandar nem num cachorro de rua, mas cujas opiniões retrógradas impedem o avanço intelectual e consequentemente estrutural de toda uma sociedade.
Apesar dessa vaga ideia de que as mulheres possam ser encaixadas todas numa única classe, como que trabalhista, é necessário cultuar as diferenças dentro desse grupo, como em outras minorias como os negros e os homossexuais, a fim de se transpor o obscurantismo que reforça estereótipos.
“Sou feminina, não sou feminista”, dizem as meninas que, bem adestradas pelo cabresto do machismo, creem na divisão cartesiana e natural do que é feminino e do que é masculino. Como se isso fosse Lei Pétrea da Natureza. Esquecem-se que, fosse o caso, ela seria incrivelmente injusta privando as leoas, por exemplo, de batom, rímel e daquele salto agulha – o qual certamente as fariam abater a caça mais rápido e trazer o alimento do Rei da Selva.
Rosidalva Cerqueira, de 44 anos, trabalha como gestora pública. Seu prenome delicadamente une “Rosa” e “Alva”. Árbitra desde 2000, faz parte do quadro da FBF e da CBF. Chegando perto do “fim de carreira”, como ela mesma diz, pôde observar uma mudança positiva na integração do universo feminino a um campo supostamente do domínio masculino.
“Lembro que já teve um jogo ou dois em que sofri uma discriminação de gênero explícita. Teve uma partida de futebol feminino em que um dos treinadores relutava em aceitar que uma mulher apitasse”, diz ela. A juíza crê que a tendência é mesmo progredir. “Antes nem torcedoras você via nas arquibancadas, isso num passado não tão distante assim”, pontua, concluindo que, sobretudo em termos de participação direta, o interesse tem crescido.
Sua colega, Ivânia Lopes, consegue administrar bem sua (eterna) carreira de mãe de duas filhas, exercendo-a em tempo integral e em paralelo ao trabalho de servidora pública e segurança patrimonial. Desde 1999 marca seus lances e dá seus cartões (quando necessários) dentro das quatro linhas. Na FBF está há 8 anos e na CBF há 4.
“Por incrível que pareça, esse estranhamento vinha mais da torcida do que dos atletas e dirigentes. Aquela velha ladainha de ‘Lugar de mulher é na cozinha!’ e ‘Ih, é mulher?! Não vai prestar!’”, diz Ivânia ao recordar o início de carreira, “E aí, o que eu fazia? Calava a boca deles honrando com meu compromisso lá nos gramados. Acho que foi assim que a gente veio se afirmando nesse ambiente, né?”.
Daniella Coutinho é peça-chave de quase toda matéria de arbitragem do site da entidade máxima do futebol baiano. A vaidosa e esbelta morena garantiu seu lugar na FIFA com afinco maior que o de muitos homens de preto que pelejam para assimilar que tal vitória não é fruto de direitos biológicos e sim de profissionalismo.
A feirense foi a única árbitra central brasileira escalada para atuar no Campeonato Sul-Americano de Futebol Feminino Sub-17, na Bolívia, o qual acontece entre 9 e 25 de março.
Por casos como esses, em que fica claro que virtudes são livres de gêneros, a Federação saúda esses seres enigmáticos e complexos que vivem a explorar os limites da emoção. Parabéns às mulheres, que suas almas sensíveis continuem tornando-as as mais humanas das criaturas.