19/03/2012 às 18:55 | Comunicação
Projeto focado (literalmente) na arquibancada é aclamado pelos frequentadores de estádio, que causaram certa inveja àqueles que deixaram de ir ao Barradão.
Na sexta-feira passada (16), o portal iBahia noticiou que investira numa surpresa para seus leitores, em ocasião do tradicional feudo futebolístico entre Bahia e Vitória, que aconteceria no Estádio Manoel Barradas, às 16h do domingo (18).
Não se tratava de um papel de parede ou proteção de tela com esse tema, nem alguma versão da canção-chiclete de Michel Teló para esse duelo. Eles prometiam algo inovador para seu torcedor e não estavam falando de um Lance a Lance em 3D.
Qualquer jogador pode vibrar com gestos e afetações diversas (com o risco de lançar outro hit que deixará cicatrizes). Entretanto, ninguém extravasa suas emoções como a própria torcida que apoia o clube. Dessa vez, ambas as torcidas foram verdadeiramente contempladas: foi ao ar o “Mostra o que é Torcida” (nome não oficial).
A ação e seu sucesso
O que o pessoal do iBahia fez: montou uma estrutura no Barradão com duas câmeras captando todos os momentos dos tricolores e da nação rubro-negra, em adição ao tradicional Lance a Lance.

Oswaldo Rego, Supervisor de Projetos do site, afirmou que “A ação foi um verdadeiro sucesso. Montamos a estrutura com a ideia de dar um foco maior às arquibancadas e captar durante todo o jogo o espetáculo da torcida”.
"Tocamos a ideia pensando na torcida como protagonista, especialmente em um clássico BaVi. O retorno que tivemos dos nossos internautas foi muito positivo", atesta Rafael Sena, Editor de Esportes.
Já Luis Moreira, gestor executivo do Portal, mostrou-se mais que satisfeito com o êxito do “Mostra o que é Torcida”, até aquele momento lançado como teste, que pensa em reutilizá-lo: “Agora nossa equipe tem a responsabilidade de fazer melhor nas finais do Campeonato Baiano”.
Sorte ou estratégia
Tivessem eles se aventurado com isso naquele Ba-Vi meio gótico de fevereiro, muito provavelmente o impacto não teria sido o mesmo. Por sorte, nenhum dos contendores resolveu entregar os pontos e como a fome pelo título aumenta a cada semana em que ele se aproxima, mais cedo ou mais tarde sairia um gol.
Os primeiros a comemorar foram os leoninos do Vitória, com gols de Neto Baiano aos 5 minutos e de Gabriel Paulista aos 7. Urrando, os rubro-negros se contorciam em espasmos de alegria, aquela certeza do “já ganhou” pipocava aqui e ali junto com hinos e cânticos de provocação ao adversário.
O Bahia chega com Souza aos 21 minutos, em cobrança de pênalti, e então o coral do Esquadrão de Aço berra mais alto, em êxtase, reprisado no empate que veio com Gabriel. A euforia do visitante durou pouco e lá veio o desempate aos 46 minutos, com Geovanni, que encerraria o placar: Vitória 3x2 Bahia.
Os espectadores bradaram em cada um dos cinco gols da partida, sacudindo toda e qualquer coisa que compunha seu arsenal de sinais de suporte e demonstração de amor pelas respectivas equipes; só a linguagem verbal não bastaria.
A estratégia de prestigiar essa massa de personagens, esse mosaico humano de individualidades fundidas a uma identidade comum, teve toda sua nobreza. Afinal, normalmente os fãs só aparecem na mídia pontualmente, como peões que provam um argumento ou ilustram uma matéria.
Não, ontem os principais fomentadores do show no esporte aprovaram essa ideia justamente porque também merecem atenção, muito mais que alguns jogadores com sobrepeso e comportamento de diva.